segunda-feira, março 06, 2006

A Voz Esquecida de Teresa Paula Brito

Houve uma altura em que Teresa Paula Brito (1944 - 2003) era uma das vozes femininas mais conhecidas de Portugal na área da música ligeira. Não havia muitas, é certo, ou não havia muitas de qualidade e com uma carreira de rigor, o que é ainda mais certo, mas a desta cantora que tinha uma paixão especial pelo jazz distinguiu-se da mediania geral como um talento de primeira água. Brilhou, no entanto, durante um período de pouco mais de dez anos, entre o início da década de 1960 e meados da década seguinte, com trabalhos que abarcavam espirituais negros e folk americana (com os Strollers, ao lado de José Duarte, autor do programa radiofónico "Cinco Minutos de Jazz"), o tema do filme Verdes Anos, de Carlos Paredes, a belíssima Para Não Dizer Que Não Falei de Flores, do brasileiro Geraldo Vandré, ou canções de José Afonso. Mas em inícios de 1971 sai um disco bastante publicitado na altura, constituído unicamente por poemas de Maria Teresa Horta e músicas de Nuno Filipe, onde à mestria das palavras e à acutilância das melodias se aliavam arranjos de Rui Ressurreição executados por José Cid, Tozé Brito ou Vítor Mamede. Estávamos, com toda a plenitude, em terrenos próximos do rock - e se dúvidas houver, basta escutar atentamente Meu Aceso Lume - Meu Amor, que, juntando dois textos da poetisa, mostra a raiva incontida que Teresa Paula Brito também sabia destilar. Pena é que a partir da segunda metade da década de 1970 pouco ou nada se tenha ouvido falar da cantora, até que a morte a veio buscar quase anonimamente em finais de 2003. É triste, tão triste, este nosso fado.



1971
Movieplay
SON 100.011

1. Existem Pedras
(Maria Teresa Horta / Nuno Filipe)
2. Poema sobre a Recusa
(Maria Teresa Horta / Nuno Filipe)
3. Meu Aceso Lume - Meu Amor
(Maria Teresa Horta / Nuno Filipe)

Teresa Paula Brito: voz
Rui Ressurreição: arranjos, direcção
José Cid, Luís Filipe, Tozé Brito, Vítor Mamede: acompanhamento

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Comments:
só hoje conheci este excelente blog e pensei q seria injusto não escrever uma única palavra sobre esta mulher q viveu no país errado no tempo errado. Desconheço q dimensão ela pretenderia atingir mas de certza q estava mto para além da mediocridade de então. Foi diferente, ousada e corajosa num tempo de "mãos de fada", "crónicas femininas" e "plateias" e, ao mesmo tempo, tão discreta e tão desiludida q, nem eu próprio sabia do seu desaparecimento em 2003. Fica-nos a sua voz poderosa, mas fica-nos aonde? abr
 
Concordo inteiramente com o que dizes. A obra da Teresa Paula Brito está infelizmente esquecida e a melhor homenagem que lhe poderemos fazer neste momento seria dá-la a conhecer ao público de hoje. Em CD só há, no entanto, uma colectânea, pelo que urge pensar em formas alternativas de fazer algo de concreto. Um abraço e obrigado pelo apoio.
 
Pois eu não conheci a voz nem a senhora. Cheguei aqui porque estou a preparar um documentario sobre um espectaculo que aconteceu em novembro de 1967 no Barreiro.
O alinhamento era: José Afonso, Rui Pato, Carlos Paredes, Fernando Alvim, Teresa Paula Brito e com a Odete Santos a dizer poemas. Como não sabia quem era a Teresa Paula Brito, vim à procura e encontrei-vos.
Nesta fase do meu trabalho, preciso de reconstruir o alinhamento do concerto. Será que alguem familarizado com o trabalho da Teresa Paula Brito, me pode ajudar?
 
Infelizmente, não conheço o alinhamento desse espectáculo. Já consultaste a imprensa desse mês? É possível que existam algumas referências.

Já agora, o documentário é em vídeo?
 
Querida Teresa
Conheci-te com 18/19 Anos no tempo do Herman José ainda "puto" nas tertulias da Mexicana (café da A. de Roma e da Antiga (Boite Tropical), na Av. de Roma. Uma grande amiga que jamais vou esquecer. Estava agora emcasa e lembrei-me de ver se na Internet Haveria Algo sobre ela. Fiquei Triste por saber do seu falecimento. Deixo aqui os meus sentidos pesames à família e a todos que com a Teresa conviveram. PAZ à sua Alma.
Uma Voz Linda e uma Mulher extraordinária.
Adorava um dia poder ter um CD com a sua voz.
jokaguimaraes46@hotmail.com
Sou um Homem com já 60 anos e recordo com saudade velhos tempos.
Obrigado pelo site da Teres Paula Brito
 
Não sabia do seu falecimento, lamento profundamente e envio à sua família as minhas condolências.

Sem dúvida que se hoje a Teresa Paula Brito estivesse viva e activa, seria um sucesso e seria reconhecida. Assim , restam alguns, certamente muitos, admiradores que a têm presente e agradecidos pela sua partilha de qualidade.
 
As coisas que a vida nos ensina...
Há tempos que procurava saber da Teresa paula Brito...a acabo por saber que faleceu há uns anos.Uma Mulher que deu tanto....presença assidua na RTP, fotografado pelas revistas que sabiam falar ds artistas pelo seu valor( e não pelas plásticas).e nada se soube.Teresa merecia Mais.
Lamento muito a sua morte.
Conhecia a Teresa.gostava dela.Admirava o seu profissionalismo.Que a sua estrela Brilhe onde estiver.
Estou muito triste.
José Luis Duval
 
Minha Senhora de mim é um registo a figurar, obrigatoriamente, no que de mais importante se fez na história da música popular portuguesa. Deveria ser obrigatório nas escolas de música.
Passados trinta e nove anos,esta Minha Senhora de Mim que na sua época era detentora de uma invulgar qualidade, mantém, ainda hoje, não só a invulgar qualidade, mas também uma invulgar actualidade. O tempo, as modas, não a perverteram. Continua bela. Sóbria. Plena de juventude. De requintado bom gosto. E é desta matéria que são feitos os clássicos ... e os sonhos...
 
Inteiramente de acordo. O EP "Minha Senhora de Mim" é de facto um trabalho que parece rejuvenescer: o entrosamento da música e da poesia é extraordinário. E a voz da Teresa Paula Brito...
 
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