quarta-feira, março 08, 2006

O Percurso Singular de António de Macedo (1)

Seria interessante aproveitar os 75 anos de António de Macedo (que o realizador cumprirá em Julho próximo) para proceder a uma iniciativa de monta e digna do cinema português: disponibilizar a integral da obra deste cineasta, detentor de um dos percursos mais idiossincráticos de toda a história da Sétima Arte nacional. Desde A Primeira Mensagem (1961) até Chá Forte com Limão (1993) muito há, decerto, por descobrir nos seus filmes, e muito público haverá interessado em neles se descobrir. António de Macedo teve sucessos de bilheteira - recorde-se A Promessa (1972) ou o abaixo referido Os Abismos da Meia-Noite (1983) - e muitas vezes foi malvisto por isso mesmo. Igual argumento emprega, aliás, António-Pedro Vasconcelos para criticar a falta de oportunidades que teve na sua carreira pós-O Lugar do Morto (1984). No entanto, o rigor que António de Macedo sempre manifestou no tratamento estético dos seus filmes e a riqueza e diversidade dos mesmos fazem com que seja quase um acto criminoso - e Jorge Leitão Ramos já o referiu em crónica no Expresso - que a totalidade da sua obra se encontre arredada de edição comercial em DVD.

Os Abismos da Meia-Noite (1983) estreou-se em Portugal a 27 de Janeiro de 1984, contando com prestações dos actores Helena Isabel, Rui Mendes, Eugénia Bettencourt, Márcia Breia, Virgílio Castelo, Manuel Cavaco e António Assunção, entre outros. Com fotografia de Elso Roque e música original de António de Sousa Dias (editada, aliás, em disco pela Fotossonoro nesse ano de 1984), o filme, que abordava temáticas ligadas à mitologia popular, chegou ainda a ser editado em formato VHS pela empresa Imaginação. Neste momento encontra-se indisponível no mercado.

Sinopse:

Irene, agente duma companhia de seguros, é encarregada de investigar o desaparecimento de um velho bibliotecário, numa cidade cidade de província. No decurso das suas averiguações, trava conhecimento com Ricardo, professor de História, que conhecia a vítima e se interessa pelas tradições lendárias da região. Assim, Irene toma conhecimento de um antiquíssimo castelo medieval - cuja entrada secreta se abre, misteriosamente, na noite de Natal, durante as doze badaladas da meia-noite.

(fonte: http://www.amordeperdicao.pt)

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Comments:
Grande bissaide
Obrigadão pelo post e pelas dicas da B.S.O.
É bom saber que o filme saiu em VHS. Pode ser que apareça em 2ª Mão.
Um abraço
Jose Tome
 
Pois, eu também tenho essa esperança... Se encontrares, avisa - eu faço o mesmo! Abraço, JCC
 
è curioso que, qdo se fala em António Macedo, se omita sistematica/, um dos mais interessantes e divertidos filmes de sempre do cinema tuga. Refiro-me a "Sete Balas para Selma", realizado durante as obras de construção da ponte 25 de abril, nos idos anos 60. É o nosso único "James Bond",entretanto tão na moda. Vi-o 2 vezes e perdi-lhe o paradeiro há cerca de 40 anos. Alguém sabe o q se passa? Merecia uma reedição. abr
jP
 
faltava acrescentar em relação ao "7 balas para Selma" que a banda sonora é do Quinteto Académico e os poemas de Alexandre O´Neill. Aliciante, mas infelizmente já quase esquecido.
não por delicadeza hipócrita, como por vezes acontece, um abraço por este interessante e cuidado blog.
 
É verdade, o "Sete Balas para Selma" merece sem dúvida uma edição comercial. Infelizmente, nunca tive oportunidade de o ver... O Quinteto Académico fez também a música para "Domingo à Tarde", também do António de Macedo - outro filme esquecido... Em breve colocarei novo post sobre o António de Macedo. Obrigado pelo apoio e pelas palavras simpáticas
 
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