quarta-feira, abril 25, 2007

Na Morte de João Paulo Agrela

A notícia era esperada, mas nunca nos conformamos quando ela chega de facto: João Paulo Agrela, teclista e compositor do Conjunto João Paulo, morreu esta Segunda-Feira. Nascido em 1942, no Funchal, foi graças ao grupo que tinha o seu nome que se tornou conhecido em todo o país nas décadas de 1960 e 1970. Ao longo de uma carreira invulgarmente longa para o Portugal de então - formado em 1962, o Conjunto João Paulo só terminaria em 1979 - vários foram os temas de sucesso na sua discografia. Desde "Hully Gully do Montanhês" até "Milena (a da Praia)" passando por "Sue-Lin a Minha Chinesa" ou "Nunca Direi Adeus" (que ficaria em 2º lugar no Festival da Canção de 1966), para não falar das inúmeras versões das canções francesas, italianas e anglo-americanas que nos fizeram acreditar que Londres ou a Califórnia estavam mais próximos, a obra do Conjunto João Paulo é um riquíssimo manancial artístico-cultural que urge redescobrir. Acompanhando as tendências musicais de então, o grupo aventurou-se sem preconceitos no rock psicadélico e produziu alguns dos temas mais belos da época, na recta final da década de 1960 e até 1972 (na sequência de um hiato de mais de um ano, devido ao cumprimento do serviço militar). Com efeito, as composições editadas entre 1970 e 1972, fase em que aos membros fundadores Sérgio Borges (voz), Carlos Alberto Gomes (guitarra), Ângelo Moura (baixo) e João Paulo Agrela (teclas) se juntaram José Manuel Fonseca (sopros) e Adrien Ransy (bateria), ambos provenientes do Quinteto Académico + 2, mostram que o grupo se manteve durante vários anos no pico da criatividade. Exemplos disso mesmo são "O Salto" (escrita por João Paulo, Sérgio Borges e Carlos Alberto Gomes) e "Serei um Dia o Mar" (um poema de Gualdino Rodrigues para música de João Paulo), dois temas deste músico que bem merecia ser mais conhecido hoje em dia, e que a morte levou cedo demais. Lá nos encontraremos, no "Paul da Serra".

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Comments:
Belo texto! Em nome de todos os fãs do Conjunto, muito obrigada. Esperemos que agora se lhes faça justiça (mas duvido)
 
Passa pelo Virtual-Rock, pois temos aí novas análises, singles e muito mais. Participa também na Jukebox.

Cumprimentos, virtual-Rock
 
Resta em paz Joao Paulo. Tu eras um amor de pessoa, nunca mereceste metade do azar que tiveste.
 
Não se esqueçam de votar no João Paulo para melhor teclista (blog Rock em Portugal)
 
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